sábado, 2 de abril de 2016

Marcel Duchamp e os sonhos com pátios





Sonho até hoje com o Sesi 358 na Rua Rubens Arruda. Ouço o pátio e os seus muros com altura de buracos, os rumores de saídas antes do horário, os portões para atrasos, os tropeços em escadas. Um conjunto de lembranças que até parece uma serigrafia. Uma impressão cromática implacável, urdida das realizações de Marcel Duchamp. É como grandes casas de concerto poderiam ser através do qual se caminha até o cansaço, até matar a sede incansável. Não há o que fazer com o incansável. Em todo caso estou indo até o bebedouro, deixando bem claro para mim mesmo que eu sou um adolescente cheio de afazeres e dedicação, em meio ao aproveitamento geral da vida, vislumbrado tardiamente quase como um eco. Sempre preferi falar como um saco de batatas, ao contrário do som inalcançável do que se tornou ser um homem. Mas o medo é uma incandescência. A memória é um Waly Salomão de edição. Ainda não adaptei O Ateneu para uma grande instalação sonora, o argumento ainda argonauta. Minto, amo argolas douradas ao longo de gargalhadas de mesa. Mas admito, seria bom nunca ter cobrança. Daria até pra passar fome.



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