quarta-feira, 3 de maio de 2017

A CASA DIZIA


A casa dizia chuva
Ela flutuava assim de memória
Sóbria sobra sombria na fenda de vinil
A casa pensa que estamos
Vivos e sabe a hora que chegamos
Não a ponto de não conseguir mais nadar
Ou ensaiar musicais hipnóticos
A casa acendeu as velas
Nos cantos rompidos do vaso
Não a ponto de interromper
O fim do mundo sem apoteose
A casa acenou com os braços
Ela quer que você reconheça
Não a ponto de não haver árvores ouvindo
Sob a tempestade de nuvens despenteadas
A casa fumou fios de cabelo
E uma carta rasgada de amor
O seu corpo emana passagens musicais subterrâneas
Ou paisagens respiratórias para pedras duras

Mas a casa dizia chuva

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