segunda-feira, 29 de maio de 2017

DOIS PULMÕES



Quando olho para trás não é só olhar para trás. Quando olho para trás depois da despedida, e da esquina com espasmo, e da mania de perseguição, e do culto ao medo que frequento, parece que estou contando com o medo da vingança à altura. Quando olho para trás não é só não olhar para trás. Quando olho para trás estou perseguindo o lugar de onde eu saí, enquanto sigo em frente, tomado por uma fome inesperada. Mas também pelo romantismo de um bandido cinematográfico, conquistando afeições como um cachorro culpado ao lado do rolo de papel higiênico. Você diz que prefere abrir mão, sendo intransigente nesse ponto. Mas, você também faz meus pés segurarem alguma coisa, enrolados em si mesmos como uma língua, procurando a convulsão do próprio gosto. Pensamentos invertebrados rastejam melhor se desmoronam desde o nascimento do derretimento. Dois pulmões, pelas minhas contas, é o nome que eu dei, fazendo cara de quem esqueceu que estava falando com vestígios de que havia um ponto de partida. 

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