sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Nas casas não domesticadas


Quando você passa
O pé na minha perna
Tudo para de sair do lugar
Por um tempo terrível e real
Coloco todos meus nervos ali
E as fotografias vão surgindo
Do meio das roupas mofadas
Que se tornaram domingos
Por volta das sete da noite
A ausência de silêncio na beleza
Esconde e cansa a beleza
Quando a palavra “gostoso”
Sai da sua boca pela minha
Convoco todas as glândulas
Cantoras de alguma língua
Lendo textos incompletos
Desses que os músculos pasmam
Movendo membros fantasmas
Ao reconhecimento de vozes
Mas tudo o que sei dos reflexos
Está correndo igual cachorro
Vermelho igual coelho
Nas casas não domesticadas

Por incompletude amorosa.

Um comentário:

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