quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O TEATRO INCOMPLETO DO CONSELHEIRO LÍMERSON



Sei que são tempos de um Brasil sendo entregue a um outro Brasil, e à preço de corpos, e à olhos vistos mas, ainda guardo uma questão que parece enganosa por aparentemente desviar disso. Quando foi que se passou a substituir o se relacionar com as outras pessoas pelo esfregar lixo psíquico na cara das pessoas? Sem exagero agora, você ainda vai ouvir esse texto e pensar em uma pessoa viva, mas se você não entende como alguém pode pensar em se matar, eu respondo: simplesmente porque não tem como prever que de uma hora pra outra você vai ser desprezado e tratado como lixo por alguém que já foi tua companhia, por exemplo. Ou, outro motivo, há quem diga "vá se tratar" como quem diz "vá se foder". E, além dos motivos pessoais que me fazem pensar nisso, existem os já conhecidos resultados de experiências de humilhação, inferiorização, abuso, etc... e por aí vai. Ou iria, pois vejam que azar, apesar de eu pensar nisso, eu ainda não quero deixar o mundo assim completamente nas mãos da quantidade massiva de idiotas que o vem mumificando (não gratuitamente, é claro). Não enquanto não tiver dado uma resposta tão insuportável, incômoda e inclassificável quanto tudo o que o senso comum meramente ignora. Auto-sabotagens idiossincráticas não desaparecem meramente reprimindo com memes de autoajuda. O teatro incompleto do Conselheiro Límerson está para começar, vai ter humor, músicas bem tristes, e hipnoses de incríveis objetos.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

?



Quando estarei sozinho no quarto, não o meu quarto nem o seu, que tipo de ajuste arquivista farei para me distrair com a incompletude das entranhas

Quando eu vou ser a noite temperada, beijando onde as brisas dormem e doem ao barulho de chuva nos seus lábios

Quando atravesso a cidade chuvosa o vento sente sede, arrastando sons de folhas secas e fios descascados de uma antiga telefonia

Quando as tormentas serão a fumaça que arrepia os pulmões, além de fotografias saudosistas inconvenientes, com penteados estilo espelhos funerários

Quando vamos conhecer o litoral dos seus sonhos, onde tudo acorda próximo da morte ou da impressão dançante de uma euforia nos seios

Quando eu encontrar partes de pedra no meu corpo arrancarei punhais dali, ao longo de uma infinidade de unidades de medida adotadas em casos sísmicos

Quando essas perguntas fortalecem o pulso da submissão nos limites da deusa pálpebra ainda chorarei acessando as mesmas memórias, cheio de cegueira


Quando você entrou por uma passagem secreta que ainda não tinha sido inventada, onde crianças perdem os órgãos e agora brincávamos de não nascer

?

Pesquisar este blog