segunda-feira, 16 de outubro de 2017

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Quando estarei sozinho no quarto, não o meu quarto nem o seu, que tipo de ajuste arquivista farei para me distrair com a incompletude das entranhas

Quando eu vou ser a noite temperada, beijando onde as brisas dormem e doem ao barulho de chuva nos seus lábios

Quando atravesso a cidade chuvosa o vento sente sede, arrastando sons de folhas secas e fios descascados de uma antiga telefonia

Quando as tormentas serão a fumaça que arrepia os pulmões, além de fotografias saudosistas inconvenientes, com penteados estilo espelhos funerários

Quando vamos conhecer o litoral dos seus sonhos, onde tudo acorda próximo da morte ou da impressão dançante de uma euforia nos seios

Quando eu encontrar partes de pedra no meu corpo arrancarei punhais dali, ao longo de uma infinidade de unidades de medida adotadas em casos sísmicos

Quando essas perguntas fortalecem o pulso da submissão nos limites da deusa pálpebra ainda chorarei acessando as mesmas memórias, cheio de cegueira


Quando você entrou por uma passagem secreta que ainda não tinha sido inventada, onde crianças perdem os órgãos e agora brincávamos de não nascer

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