sexta-feira, 28 de junho de 2019

Os contornos do sentido

Lebanon Havoner
Quando coloco flores nos furos na sua boca é pela tintura que se mistura aos contornos pontiagudos, e porque ela sussurra o que a beleza ensina, costura o que o seu corpo não conhece. Quando toda a minha mão toca a tua barriga pelos contornos pendurados na cintura é porque ela alimenta a fome de seus outros continentes, que tendem a se alimentar só de tijolos e lembranças sem saliva. Quando me arrepio nos seus olhos é porque eles ouvem os contornos esquecidos do seu corpo, então me arrepio até repelir os objetos, para que os seus olhos se assustem e se lembrem de piscar. Quando construo pontes aos seus pés é porque sei que eles despencam como os meus, e atravessando pontes sabemos que a rasteira deve ser dada no momento certo, quando o tropeço está no contorno e a mente está perto do fim da memória. É por isso que engasgo com seu pescoço quando o seu contorno inventado me pega desprevenido, a sua voz atravessa a garganta e infiltra em todos os ouvidos, então engasgo de verdade com as minhas próprias mãos. Esfrego essas frases nas minhas mãos para aquecer o desejo dos olhos, e se isso acalma a cantoria que te contorna em correntes repercussivas é porque o teu corpo queima na invenção do invisível. Acho que foi isso o que quis dizer com "amo as vírgulas da tua cabeça", quando morri como um homem feliz, abraçado ao desfiladeiro entre a sua língua e a sua bunda.

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